sábado, 26 de janeiro de 2008

CORRUPÇÃO - MARINHO PINTO DIZ TER LISTA DE 16, 17 CASOS QUE ESTÃO MAL EXPLICADOS

Depois do vendaval político que as acusações de corrupção no Estado feitas pelo bastonário dos Advogados causaram, com o Procurador-Geral da República a decidir abrir um inquérito, Marinho Pinto volta à carga. Desta vez para apontar alguns exemplos. Mesmo sem apontar os nomes dos políticos e as datas a que se refere, algumas situações que denuncia são perfeitamente identificáveis.

Em declarações à SIC, o bastonário dos Advogados disse ter uma «lista de 16, 17 casos que saltam aos olhos, que estão mal explicados» e citou alguns: «Houve um ministro que atribuiu, por concessão, um importante serviço público a uma empresa privada. Hoje esse ministro é presidente dessa empresa; um membro do governo que adjudicava obras públicas a certas empresas de construção e está hoje numa dessas empresas».

Marinho Pinto falou ainda de um empreendimento turístico que estava parado porque pretendia nascer numa zona protegida. «De um momento para o outro, dois ministros consideraram que era um projecto de interesse público e abateram-se dois mil sobreiros. Dias depois entraram nas contas desse partido um milhão de euros».

O bastonário da Ordem dos Advogados, sempre referindo-se aos «intocáveis da política», considerou igualmente escandaloso algumas situações de perdões fiscais feitos por despacho ministerial.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

PORTUGUESES INVESTEM EM ESPANHA

O número de automobilistas portugueses da zona da raia que se abastecem de combustível em Espanha, vai levar um empresário e um autarca da zona do Sabugal a investir num posto de abastecimento «no lado de lá» da fronteira.
Segundo José Manuel Campos, presidente da Junta de Freguesia de Fóios (Sabugal) e um dos sócios da empresa que vai investir no país vizinho, o equipamento está projectado para a localidade espanhola de Navasfrias, a cerca de quatro quilómetros da fronteira portuguesa.
O investimento, que englobará custos entre os 100 e os 150 mil euros, já teve início com a aquisição de um terreno e com a constituição da firma com a designação «Gasoraya», adiantou.
José Manuel Campos referiu que o processo relativo à construção do posto de combustíveis já deu entrada no Ayuntamiento de Navasfrias, aguardando pela sua aprovação.
O autarca, que faz parte da firma comercial em parceria com um empresário do Sabugal que possui umas bombas de gasolina na zona de Lisboa, admitiu que as obras no terreno possam começar em breve.
Preços mais baixos em Espanha
José Manuel Campos justifica o investimento que vai ser realizado no outro lado da fronteira, com a necessidade de colmatar uma falha que existe naquela zona raiana e atendendo aos preços dos combustíveis praticados em Espanha, que são mais baixos do que em Portugal.
O Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA) praticado em Espanha atinge uma diferença percentual de cinco por cento em relação a Portugal [21 por cento em Portugal e 16 por cento em Espanha], situação que leva os residentes na zona da fronteira a optarem por abastecer as suas viaturas «no lado de lá».
«Havia umas bombas de gasolina no cruzamento da Lageosa da Raia com Aldeia Velha que encerraram e na zona raiana não temos onde nos possamos abastecer», apontou.
Por outro lado, salientou à Lusa que a construção das bombas de combustível em Navasfrias tem por objectivo «abranger as localidades espanholas e portuguesas».
«[A gasolineira] está mais virada para servir os portugueses, mas os espanhóis, tendo-a à porta de casa, não vão a outro lado», acrescentou.
O autarca de Fóios indicou também que a melhoria da estrada que faz a ligação entre Navasfrias (Espanha) e Aldeia do Bispo (Portugal), permitirá uma afluência maior de portugueses ao local.
Os investidores acreditam no sucesso do investimento, apontando que só nas localidades de Navasfrias, Valverde del Fresno (ambas em Espanha) e Fóios (Portugal), residem mais de quatro mil pessoas.
Portugal Diário

domingo, 6 de janeiro de 2008

O PAÍS DOS CONTRASTES

De um Governo que se diz socialmente comprometido esperava-se que olhasse com outros olhos para as pensões mais baixasA agenda política tem destas coincidências assassinas. Em plena saga BCP e na sequência do discurso do Presidente da República acerca dos rendimentos obscenos de uma grande parte dos gestores públicos e privados - tema já aqui tratado mais de uma vez e, por sinal, em referência aos prémios de gestão no mesmo BCP - nada mais a propósito do que os aumentos das pensões. Os dois países do costume - por um lado, o país rico e com bolsas cada vez mais largas de uma ostentação indecorosa, por outro, o país pobre e com bolsas cada vez mais largas de uma miséria extrema -, nunca se encontram na vida real; mas cruzam-se nos noticiários da rádio e das televisões, ou nas páginas dos jornais. E quando isso acontece, como está a acontecer agora, ficamos com melhor noção do fosso que os separa e que os separa cada vez mais, num Portugal onde há pelo menos três décadas que os políticos enchem a boca com as palavras solidariedade e justiça social.Para se ter uma ideia do contraste chocante entre esses dois universos basta cotejar os sete euros de aumento para os milhares e milhares de reformados com 300 euros mensais com, os três/quatro milhões de euros que, só a título de exemplo, constituem o rendimento anual dos cargos agora em disputa no BCP. Isto para já não falar dos planos de saúde e de reforma milionários, através dos quais os gestores públicos e privados obtêm, muito cedo na vida, certo tipo de garantias. Como a de nunca virem a ser confrontados com a absoluta necessidade de, aos 70 ou 80 anos, terem de fazer cem quilómetros de ambulância para irem, a meio da noite, ao hospital mais próximo.Sabe-se que os reformados e as suas pensões são um clássico em todas as campanhas eleitorais e que, fora delas, tornam-se objectos privilegiados da demagogia, quer dos governos quer das oposições, em todas as estações políticas. É também a essa luz que deve ser lida a iniciativa do CDS em prol de um aumento intercalar das pensões que as corrija e compense em termos de poder de compra. Mas a verdade é esta: com ou sem motivações eleitoralistas, o CDS e os restantes partidos da oposição dizem, quanto ao fundo da questão, aquilo que toda a gente pensa. De um Governo que, forçado pelas circunstâncias, vem impondo sacrifícios generalizados, mas que continua a declarar-se socialmente comprometido - e até instituiu um complemento para as reformas abaixo dos 300 euros -, esperava-se um pouco mais. Esperava-se que, em relação aos reformados mais pobres, lhes garantisse alguma recuperação do poder de compra, tal como fez com os trabalhadores que recebem o novo salário mínimo. Para que, ao menos na parte em que o Estado ainda tem a palavra decisiva, a justiça social e a solidariedade sejam algo mais do que «slogans» de campanha, vazios de significado e de sentido.in "Expresso"